Eu sei que se eu perguntar, as respostas
sairão mais vazias, mais confusas. Por isso desisti de perguntar. Mas
também não vou mais fingir que me importo com algo desse tamanho. Nós
dois sabemos que somos dois filhos da puta miseráveis. E não fazemos
nada para esconder. Tudo bem. Concordo em dizer que me precipitei
tentando invadir seu espaço, mas querido, essa precipitação não falhou.
Não responda. Porém, ambos sabemos que eu consegui fazer isso sem tantas
delongas. Agora, eu e você estamos caminhando lado a lado, numa linha
torta e, nas encruzilhadas, acabamos nos perdendo. E por esse motivo,
quando um não volta para buscar o outro, não funciona direito. Não tem
como funcionar. Você não sustentaria esse seu corpo por muito tempo, sem
as gargalhadas que apenas eu consigo arrancar de você. Confesso, eu
também não.
Você se abala, mesmo sendo cretino e fazendo pose de durão. Eu te abalo.
Mas me diga, o que quer que eu faça? Não, não responda. Sei que uma
parte de você quer me ver longe, porque claro, antes de eu aparecer na
sua vida, tudo corria tão bem. Você não precisava sorrir para encantar
garotinhas. Era só dizer “quero te comer”, que tudo funcionava nos
conformes. Depois que eu apareci, seu psicológico e sua vida sexual com
todas as outras, tornou-se uma confusão. Culpa minha. E por esses
motivos, uma parte de você me quer longe, justamente porque a outra
parte me quer tão perto, que me devoraria com um só olhar. Nós dois
sabemos. Estamos nos entregando numa espécie de paixão.
Por que diabos complicar? Não responda,
novamente. Porque nada é fácil. Nada pode ser tão fácil. As coisas
fáceis tornam-se enjoativas. Desgastam-se cedo demais. O que eu quero é
complicar. É ter dores de cabeça, borrar maquiagens com lágrimas, ver
você se torturando em se obrigar a ficar ao lado de outra garota que não
seja eu. Tudo porque, nós sabemos, estamos errados e certos demais no
mesmo tempo. Nos queremos perto e nos queremos longe. Mas, querido,
assim como sabemos de várias coisas, uma delas é: não conseguiríamos
ficar tão longe assim. Sempre existirá uma música que nos fará lembrar
de quando nos pegávamos com raiva, com amor. Sempre existirá uma cena de
um filme em nossa cabeça, que transformará nossa essência e nos voltar a
lembrar um do outro. Sempre que estivermos com alguma pessoa diferente,
voltaremos a pensar em nós: “Filho da puta, ele foi o único que conseguiu, até hoje, falar a minha língua”. Então, pergunto novamente, mas não responda, apenas pense, e se achar uma saída, FAÇA sem dizer uma palavra: Por que diabos complicar, se nosso lugar é um ao lado do outro?

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