Estes em que o tudo parece tão pouco, e o nada
começa a fazer sentido, onde os olhos podem alcançar a magnitude de
algo tão complexo, tão imenso e, fazer com que a paisagem da imensidão
pareça com algo pequeno, simples, diante de um olhar extravagante. O
olhar da alma alcança o além do horizonte, fazendo cada centímetro
transformar-se em poesia, em trilha sonora para aqueles que escondem
dentro de si, corações amargurados e vontade de não mais viver a sua
pequena rotina.
A poesia vira música, a
música vira poesia e, nos dias imperfeitos tudo fica embalável como uma
caixinha de bailarina. A bela melodia, a bela moldura, a bela silhueta. A
silhueta que, conforme cada passo, cada tom, cada toque, enriquece
mais. A dança perfeita para corpos perdidos no meio do nada e, antes que
o nada vire o tudo, deixamo-nos embalar nesse grande parque de
diversões dançante e vibrante, que carrega a aura do sentimento.
A
música que carrega nossa alma por entre os portões da vida, arrasta-nos
para o imaginário, o utópico, onde (quase) tudo é possível. A nossa
dança compete com a nossa vida, o sabor da nossa vida tempera-se com
sabor do brilho que cai do céu, a que apenas os olhos dos dias
imperfeitos conseguem observar.
Muito
desse brilho é escondido por debaixo de tapetes de nossa mente, para que
ali, armazenados, fiquem de fácil acesso para quando, um dia entediante
chegar, possuir um pouco de calor a que colhemos, com esforço e poesia.
Estes são os dias a que nos doamos para
qualquer coisa, a que nossos corações apaixonam-se pelo novo, pelo
diferente. Somos seres apaixonados, seres quentes, puros, meros covardes
para cair na armadilha da imperfeição. Somos dançarinos, procuramos
pelo sensual, pelo suave, nos completamos por uma hora, por um dia. Caso
for mais do que isso, extrapolam-se os dias não perfeitos e renovam-se
os dias de terror, a que tudo faz sentido, a que cada sorriso é
verdadeiro e abençoado.
Agradeço por ter
meus dias imperfeitos, para que eu possa me apaixonar por novas cores,
novos sabores, novos aromas, novos “você”, e não achar nenhum sorriso
verdadeiro mas sim, cruel, o olhar penetrante que arranca pedaços da
minha alma. Apesar de minha alma ter vários buracos por conta de cada
pedaço arrancado, ela continua dançando, cantando, poetizando e,
agradeço a cada um que fizer de meu dia, tornar-se parte da imperfeição,
pois essa, com toda a certeza é mais agradável e mais bem vivida.

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