A realidade pode ser bem diferente daquilo que pensamos, depende somente de nós…

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Creio q esse ano Deus irá fazer grandes Obras em Minha vida e na vida de muitos ...

Minha Nova Fase :)

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A espera da minha princesinha Aysha Yasmim <3

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Como ria bonito aquele menino. Abaixava a cabeça, como que tentando esconder a feição de qualquer sentimento. Os olhos ficavam miudinhos em pequenas dobras laterais. A mão vinha boca, quase que instantaneamente. E ele ria, sem roídos, apenas seguindo a ritual de aperto dos olhos e mão na boca, até que não tivesse mais graça. Os músculos da face se contraiam, formando uma leve covinha em suas superfícies, e mostravam, como que num passe de valsa e poesia, os dentes perfeitamente alinhados e grandes. Eu o observei por tanto tempo. Ele passava as mãos nos cabelos, uma vez ou outra, e eu até podia sentir a textura dos fios tão macios massageando os meios de seus dedos compridos. E eu a orgulhosa irremediável da família, que tanto tempo havia sido rocha, se limitava a ser musgo. E não importava que fosse afalfado por pés, desde que fossem os dele. Sim, eu a individualista. Eu, a egoísta. Eu, a incurável protetora de meus próprios sentidos, permitia que eles me traíssem. Porque eu o via, sentia e ouvia, mesmo que em silêncio. E o vento brincava comigo, remexia com tanto desleixo as mechas daqueles cabelos desajeitados, que por um momento, me faziam inveja. Invejei-os porque nem que eu esticasse bem as mãos, não o alcançaria. E o vento tão completo, tão dono de tudo, tão onipresente, poderia estar sempre tão perto. A minha presença não era mais escondida, porque ele conseguia sentir que estava sendo observado. Quanta maldade dos saciados: satisfazer a ausência de vontade, com a fome alheia. E ele sabia tão bem qual era a minha fome. Ah, me perdoe, mas não suporto mais tanta miséria. Cansei de migalhas esporádicas, e quero ter um completo pra sempre. Mas é tão dolorido desmoronar do alto e admitir que perdera uma batalha interna. Aquele menino sabia que eu precisava tanto dele, como um coração partido precisa de descanso. Era tão confortante o olhar profundo e apreciar todos os contornos desengonçados do seu rosto talhado cuidadosamente. Era tão orgulhosamente bonito. Lembrava-me a mesma sensação de estar em uma montanha russa, com o vento nos cabelos e um frio sacolejado rápido todos os cantos do estômago, enquanto o carrinho desce rápido e se afunda em um emaranhado de suportes de ferro para o carrinho trafegar. E eu me afundava nele, ali, parado e estancando o riso com as mãos. Me permitia por alguns instantes ser a louca insaciável. Era como sentir um formigamento dos pés a cabeça; Ah, ele me fazia tão bem. E nem precisava entender que alguém estava se apaixonando por ele naquele exato momento. Sorria tanto, aquele menino. E como tinha facilidade de contagiar as pessoas. Fosse empostando a voz e cantando algum sertanejo raiz antigo, fazendo alguma piadinha, ou mesmo que parado, sem saber que estava sendo observado, ele me fazia sorrir. Anoiteço sempre, como ele, e como qualquer um. Mas eu espero as primeiras fagulhas da manhã para que elas me deixem mais perto dele. É claro, aquela tal relação de dependência do amor. A solução maior para não se deixar afundar mais na vontade de guardá-lo numa caixinha para que apenas eu pudesse ter-lo: uma cura. Ah, Deus, mas o que farei se a cura para todas as minhas dores é justamente ele? Ele me fazia sentir uma necessidade tão neurótica e materialista. Já que havia selecionado em uma lista de necessidade todos os meus desejos, e ele estava entre, pelo menos, uns cinco dos oito que escrevi. Tão difícil sentir meu coração de pedra se desintegrar em pequenas partes e formar de novo uma massa apaixonada batendo acelerado. Dói, e isso é tão constante. Que ele não me levasse a mal, mas não doía de tristeza. Doía porque de repente eu estava fazendo parte de novo deste tráfego de amores e paixões que locomovem tantas pessoas. E de repente eu sorria em apenas observá-lo sorrir, mesmo que não sorrisse para mim. Ah, como me fazia amar aquele menino. Ah, como me fazia rir aquele menino bonito.

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