
“Hoje eu conheci uma moça. Ela tinha uma dor diferente de todas as
outras dores que eu já tinha presenciado em toda a minha vida. Quando a
conheci, ela estava ao lado de um corpo coberto por uma estopa suja,
tinha muito sangue no chão e essa tal moça tinha alguns arranhados no
braço. Enquanto ela tentava falar tropeçando em seus soluços a multidão
se formava a minha volta, pareceu-me tudo tão pequeno. Menos a dor
daquela moça. Então, do nada, ouve-se uns gritos desesperados. Era da
tal moça, que enquanto tentava aliviar sua dor aos berros segurava a mão
fria daquele cadáver. Eu a ouvi dialogar com sua mãe que tentava
confortar sua dor. Ela falava aos prantos: “MEU MARIDO MORREU, MÃE, MEU
MARIDO MORREU, O QUE EU VOU FAZER AGORA?”. A mãe, igualmente desesperada
tentava consolar sua filha, que aquela altura não sentia-se mais viva.
Os seus gritos doem na alma de quem os ouvia. Era uma dor tão forte, tão
dolorosa, dava pena, dava vontade de abraçá-la, tentar acalmar seu
coração doente. Me desculpe, sua moça, me desculpa por sua dor. Sei que
não tenho culpa, sei que pro amor morto não tem cura alguma. Espero que o
tempo te dê algo que não a faça desistir. Espere, moça bonita, a vida
ainda há de lhe dar alguma alegria. Eu tentava ter algum tipo de reação,
mas só conseguia ver aquela cena horrenda, só conseguia respirar e nada
mais. Ela apertava a mão de seu marido, morto, inerte, ela o apertava
como se aquilo fosse trazê-lo de volta. Eu sinto sua dor, moça, mas não
desista. Não é fácil, não mesmo, mas na vida a gente tem que aprender a
superar as coisas. Essa dor acompanhará essa moça pelo resto de sua
vida, mas nada a impede de tentar sorrir de vez em quando.”
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