Hoje de manhã, logo ao acordar, deparei-me com um copo de café em
cima da mesa, cheguei próximo a xícara e toquei-a, percebendo o quão
frio estava aquele café, mas algum tempo atrás parecia tão saboroso e
quente, mas o tempo passa e as coisas esfriam, e na maioria das vezes a
culpa nem chega a ser nossa. Comparei aquela xícara fria e sem vida com a
gente, estamos frios e largados em cima de uma mesa qualquer, onde
acostumamo-nos a repousar, obrigados pela rotina decadente em que nos
encontramos, nem nos olhamos mais nos olhos, nem um eu te amo, nem um
abraço, nem um carinho, nada, talvez sejamos mais frios do que o café
largado em cima da mesa. Então decidi mudar toda a história, peguei
aquela xícara fria - lembro-me bem que senti arrepios - toda a nossa
história passou diante dos meus olhos, assim como aquele café, que
perdeu seu sabor depois de algum tempo. Levei a tal xícara fria na
direção de uma panela pequena, onde tentaria salvar aquele café, e
enquanto isso, pensava em um forma de salvar nós dois, talvez de nós
mesmo, talvez nem desse certo, mas eu nunca iria deixar de tentar, nem
que eu tivesse que jogar dentro de um vulcão. Nós éramos aquele café, e
mesmo requentado e com um pouco do gosto perdido, ainda causa muito
prazer a quem o bebe.
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