Quando eu era mais nova, lá por volta dos meus 6 anos, eu li o meu primeiro livro.
Me
lembro perfeitamente dele, intitulado "O Reizinho mandão" da Ruth
Rocha. Tinha uma capa azul e verde com uma textura gostosinha de sentir
com a ponta dos dedos, com a figura de um menino rei, com uma cara
carrancuda e esnobe. Não me lembro quantas vezes eu li aquele livro, só
sei que foram muitas, eu lia na hora de almoçar, na hora de deitar, até
tomando banho! trocando as páginas com as pontas dos dedos para não
molhar.
No
início eu não entendia muito bem o sentido do livro, eu só entendia as
palavras, eu as juntava bem devagar e era uma vitória só minha quando eu
conseguia ler uma frase toda. Com o tempo eu fui entendendo o porquê do
livro.
Era
sobre um reizinho que maltrata a todos, julgando-se mais esperto e
superior, até que um dia alguém entregou-lhe uma roupa que dizendo que
"só os inteligentes a enxergam" e a verdade é que não tinha roupa
alguma, e o tal reizinho, com medo de passar-se por ignorante diante de
seus súditos, andou dias e dias desnudo. A moral é clara. Aprendi minha primeira lição com um livro: Sentir-se esperto não te torna esperto.
E
depois dele me lembro de um livro sobre um menino autista, que contava o
mundo e suas "realidades" de um modo especial, li também " O menino do
dedo verde", o "Pequeno Príncipe", todos antes dos meus 10 anos de
idade. Todas esses histórias foram lindas e me ensinaram a começar a ver
o mundo e as pessoas com uma certa doçura, com uma certa esperança de
que minha vida fosse um pouco mais do que eu vivia na época.
Não
que minha infância tenha sido ruim, foi maravilhosa, fui criada pelos
meus avós, com dois irmãos mais novos que eu amo mais que tudo! fomos
companheiros de dores, perdas e muitas e muitas brincadeiras que
enlouqueciam minha avó.
Começou ai minha obsessão
com os livros. Eu lia de tudo, de tudo mesmo. Eu chorava com mortes,
ficava extasiada por dias com finais tórridos, enlouquecia de paixão por
mocinhos que iam de ingleses felpudos á índios selvagens, lia livros
mal escritos de bancas de jornais que custavam 2,99, panfletos de
supermercados, lia até livros que mal entendia, eu lia tudo o que eu
pudesse ler.
E posso afirmar com certeza que boa parte da construção da minha personalidade e do meu caráter se deve aos livros também.
Por
isso, eu escolhi a profissão de jornalista, que é saber escrever o que
não se quer, mas que se precisa, e ter a liberdade de escrever o que
quiser também.
Porque é como eu sempre escrevo no início de cada agenda que eu compro no início de cada ano:
"Escrevo pelo terrível anseio de andar na contra mão, quem muito fala se contradiz,
quem escreve levanta vôo"
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