In your heart and in your mind,
I'll stay with you for all of time.
I'll stay with you for all of time.
Eu ainda escrevo sobre você, encostando a cabeça para cochilar no meu ombro esquerdo e segurando uma de minhas mãos por baixo da banca. Escrevo porque essa cena muitas vezes ainda me salva. E eu quase não acredito: olha aqui você, ao meu lado, com ombros, cochilos e mãos. Você, ainda e sempre. Eu sinto sua temperatura e seu peso como se aquele instante de quatro anos atrás fosse agora, entende? E meu coração desmanchando-se inteiro, disparando sem freio, sem pausa, sem ritmo, sem raciocínio... assim meio às cegas, esperando pela sua surdez. Que você não percebesse, que você não percebesse, que você não percebesse. E você levou anos para perceber realmente. Mas o coração continuou disparado, nessa aceleração tão paciente, tão serena, tão tranquila. Essa aceleração que quando quase não esperava mais, esbarrou em você e atropelou a nós dois. Esse atropelamento que nem foi catástrofe: esse que foi onda do mar nos virando ao avesso e nos estirando na praia exaustos, mas felizes. Ainda e sempre.
Eu ainda escrevo sobre você, me pedindo desculpas no corredor e pressionando minhas mãos que tremiam desesperadas para te desculpar. E no que você estava errado eu nem me lembro, mas hoje tanto faz. Tanto faz, aliás, nosso hábito de birras e discussões de pátio, porque entre tantos Não(s), a palavra mais certa que já lhe ofereci foi o meu Sim. Então sim mil vezes, e mil vezes tremer as mãos e desculpar-lhe os erros. Porque o seu lado é meu acerto. Ainda e sempre.
Eu ainda escrevo sobre você, porque cada gesto seu envolve dezenas das minhas palavras e revolve todas as sensações boas que às vezes decantam escondidas e submersas na minha alma. Escrevo me surpreendendo por dentro a cada movimento e a cada alteração do seu ritmo enquanto anda, fala ou respira. Olha só, era mesmo você. É mesmo você. Será mesmo você cochilando no meu ombro, se desculpando nos meus corredores, gesticulando para minhas palavras... será você sempre numa parte irremovível de mim, entende? Ne peut pas se séparer. Aquele garoto implicante que corava o rosto exatamente como eu me esforçava para não fazer, vejam só, aquele garoto hoje me faz sentir tão segura, tão plena, tão capaz de qualquer coisa. E se aquela menina também implicante e corada pudesse me ver, haveria de estar satisfeita com o rumo que a vida tomou - ou que nós dois tomamos, levando a vida pelas mãos. Porque aquela menina, hoje, se sentiria bem perto daquilo que desejava ser. E de se sentir tanto, lhe escreveria um texto corrido, sonolento, bobo, às madrugadas e aos impulsos, para dizer que justamente você, e apenas você, era a pessoa perfeita para sentar-se na banca ao lado e encostar-se no ombro esquerdo. A pessoa ao lado de quem seguir na vida, com o coração palpitando tão forte e sem controle quanto da primeira vez. Ainda. E sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário